O verdadeiro HEROI


Sem duvida que o Martim é um verdadeiro Heroi.
A cirurgia correu bem e a recuperação também está a correr bem, com alguns pequenos contratempos mas que fazem parte. Só o tempo fará com que tudo passe de vez.
Como devem inaginar os dias anteriores à cirurgia foram angustiantes, cheios de tensão, stress, ansiedade, nervosismo... Mas o pior de todos foi mesmo a véspera. A angustia e o medo teimavam em acompanhar-me e por mais que os quisesse expulsar, eles teimavam em não ir embora. Estive sempre do lado do meu amorzinho e cada vez que olhava para ele, era tanta a força que tinha que fazer para não chorar perto dele, e o coração ficava cada vez mais apertado.
Essa noite foi passada completamente em claro, por mais que não quisesse todos os cenários passavam pela minha cabeça, mas o dia em que ele foi operado, era o dia de Nossa Senhora e eu sabia que ela iria estar do lado do meu principe.
O Martim foi operado logo pelas 8h30 e fui eu que o levei até ao bloco operatório. Ia calminho, o pior mesmo foi quando o anestesiaram com a máscara. Ele estava ao meu colo e agarrava-se a mim e olhava-me com os seus doces olhos, como se me estivesse a pedir para o tirar dali, para lhe tirar aquela coisa da cara, para o trazer de volta comigo. Foi demasiado angustiante vê-lo assim. Não me consegui conter e por mais que eu tentasse as lagrimas não paravam de cair.
Quando sai do bloco, foi como se o meu mundo tivesse ficado em stand-by. Os minutos pareciam não passar. O meu peito doía como nunca tinha acontecido até então. A espera foi dolorosa, mas teve uma lufada de ar fresco quando uma enfermeira nos disse que a operação estava a correr bem e estaria quase terminada, 2h depois.
Voltei a encontrar o meu principe na sala de recobro e não mais o larguei. Senti-me, pela primeira vez, impotente. Ver o meu amor a chorar daquela forma, a tentar respirar e mal conseguia, a sua boquinha e nariz cheios de sangue... Felizmente após algum tempo conseguiu acalmar. Essa tarde foi muito atribulada, porque ele não queria ter os braços presos, a respiração ainda era feita com alguma dificuldade, para além das queixas que nos fazia com os seus gemidos e os seus pedidos de miminhos.
Felizmente o dia seguinte foi mais calmo e até começou a brincar e a querer mexer em tudo. De certa foi um alivio saber que estava a recuperar bem, calmamente, mas bem.
Só queria o colinho da mamã, os miminhos da mamã e nem quis ir ao colo da tia Ju que ele tanto adora.
Começou a beber o leitinho e reagiu sempre bem.
No sabado, estava ainda mais bem disposto e já só queria brincadeira. Começou a querer palrar como fazia até então e foi dia de tentar uma sopinha e um iogurte e a adaptação também correu bem.
Tivemos muitas visitas durante estes dias, de todos aqueles que estão do nosso lado e foi bom para repor energias.
O papá esteve sempre connosco e foi muito bom. A sua presença deu-nos outro ânimo. Se por um lado foi bom para o Martim sentir o papá perto dele nesta fase menos boa, sentir os seus miminhos e apoio, para a mamã também foi bom a sua presença, permitia que eu descansasse um pouco a cabeça e tinha a companhia do papá para dividir a preocupação e a ansiedade.
Tivemos alta no sabado ao fim do dia e embora estejamos ainda os 2 muito cansados, só o conforto do lar é meio caminho andado para recuperar energias.
Os dias têm-se passado com alguma agitação, o que é normal uma vez que é toda uma nova adaptação e principalmente porque a cirurgia ainda foi há muito pouco tempo e é obvio que apesar do Martim não sentir dor, sente um desconforto que é habitual, mas as noites têm sido bem pior. O Martim acorda várias vezes alterado e com ataques de choro, em que por vezes não são fáceis de acalmar. A mamã anda esgotada, fisica e psicologicamente, sem forças, mas a tentar dar o seu melhor e estar no seu melhor para proporcionar ao Heroi tudo o que ele precisa nesta fase.
Estou confiante que vai tudo correr bem e que esta fase vai passar rápido. O Martim é um menino cheio de força, valente e está quase no seu estado normal de simpatia e boa disposição.
És o meu sol, a minha luz, o meu Mundo... A mamã está aqui simplesmente para ti

1 comentários:

Silvia disse...

Olá, o Simão também foi operado pela segunda vez no passado dia 31 de julho e acredita que senti exactamente o mesmo quando ele desfaleceu nos meus braços com a anestesia. É um sentimento atroz e sentimo-nos impotentes frente ao sofrimento dele.
Felizmente correu muito bem e o Simão recuperou muito rapidamente. Espero que o teu pequeno herói também esteja bem. beijinhos para ambos

Sílvia